09/02/10

Sábado foi dia de teste da minha cadela na GNR. E correu muito bem. O treinador super porreiro gostou dela mas avisou-me que não pode fazer milagres por rafeiros e isto tem uma explicação. Segundo ele, os cães de raça desenvolvem características que são mantidas e apuradas com o treino ao longo dos anos, por exemplo, os labradores dão excelentes cães de resgate e salvamento; os cockers para detecção de cadáveres ou droga e o pastor alemão parece que faz tudo o que os outros fazem ganhando fama de melhor cão do mundo! Adorei a sua sinceridade ao confessar-me que são 25 aulas mas se durante as aulas a Stella não demonstrar progressos ele avisa-me e cancelam-se as aulas. O rafeiro pode não corresponder a 100% aos treinos uma vez que, por ter misturas, não desenvolve uma característica única, uma vez que tem várias. Isto provoca ansiedade e medo nestes cães rafeiros gerando comportamentos agressivos (é o caso da minha) ou dóceis (é o caso de muitos rafeiros que conheço). E depois de me ter dito isto foi buscar o Tico, um pastor alemão com oito anos, para nos fazer uma demonstração de um cão treinado. Foi lindo! Obedecia a todas as ordens: sentava-se, deitava-se, esperava, ladrava e até fingiu de morto!!!! Eu tenho fé e sei que a Stella vai reagir bem aos treinos. Mais umas aulinhas e torna-se simpática com toda a gente. É só o que eu peço e quero: calma e simpatia naquela cadela.

Eu não sou da opinião que é o dono que faz o cão. Digo isto porque eu nunca ensinei a minha cadela a ser agressiva na rua com toda a gente e com todos os cães. Nunca foi esse o meu objectivo, pelo contrário, o que mais quero é que ela seja dócil e calminha na rua para poder andar mais à vontade. Já tem um ano e quatro meses e, infelizmente, tive alguns dissabores com ela na rua. Desde querer atacar crianças até velhos. Mas o pior é com os pretos. Não sei porquê mas reage ainda pior com indivíduos de etnia africana, porquê? Alguém que perceba de cães que me explique. É certo que neste bairro onde vivo agora há uns quantos e não muito simpáticos e, na quinta-feira passada, a Stella ameaçou um preto enquanto a passeava, eram 07h30. Ele não gostou e fez-me ameaças. A cadela estava presa e nem lhe tocou, mas ameaçou. Também não gostei da ameaça dele, no entanto, compreendo que ele se tenha assustado do mesmo modo que ele devia compreender que os cães não são pessoas, não tem o entendimento que nós temos. Fiquei nervosa e fui para casa a chorar. Desde esse dia que vou com a stella para outro lugar passeá-la pois a melhor maneira de não termos problemas, é evitá-los.

Não entendo a aversão que as pessoas tem aos animais. A ameaça que ele me fez demonstrou aversão a cães e não me parece que ele tivesse a mesma coragem de reagir mal se visse uma luta de cães patrocinada pelos próprios seres humanos.

Os animais nunca se comportam como as pessoas mas é muito triste saber que há pessoas que se comportam como animais.

26/01/10


Saí do banco e passei por uma loja com um nome sugestivo : "A Lojinha do Pão". Pensei logo: "Huuum... devem fazer pão ali dentro e devem ter imensas variedades de pão. Vou entrar e experimentar." Asneira. Não o devia ter feito. Quando entrei vi um minúsculo Café com duas mesas e nada de pão a não ser aquelas poucas carcaças na vitrine da montra. Pensei: "Só tem aquilo? É melhor ir-me embora. Esta "lojinha" não cheira a pão e não tem variedades de pão. Não, não me vou embora. Vou ficar e experimentar aquelas carcaças. Se calhar, aquelas carcaças devem ser deliciosas".

- A menina? O que era?
- Queria quatro carcaças... Quanto é?
- Oitenta cêntimos.

Oitanta cêntimos? Bolas, a padaria do maravilhoso bairro da Venda Nova no concelho da Amadora tem carcaças a quinze cêntimos e são feitas na hora e essas sim são divinais. Aliás, é a melhor padaria que conheço. Pão e bolos feitos ali e na hora e são irresistíveis.
Enquanto comparava os preços não imaginava que uns segundos depois iria espantada comparar a qualidade do pão entre uma e outra loja. Assim que entrei no carro, abri o saco para petiscar o pão e...

"PÔRRA! Que é duro! E o sabor... blagh! Tem sabor de cinco dias. Este pão não é de hoje, nem de ontem. Deve ser de 5ªfeira passada. Só pode. Deixa-me cá apalpar novamente e verificar a sua dureza. OK! 100% duro. Deixa-me cá tirar mais um bocadinho de pão para verificar novamente o seu sabor... Ok! 100% sabor a ranço. Aquela senhora deve estar a gozar com a minha cara para me vender um pão assim. Eu não acredito que alguém tenha o descaramento de me vender um pão destes."

voltei atrás.

- Desculpe, mas este pão não é de hoje, nem de ontem. Está duro e eu acabei de o provar e sabe a ranço.
- Ai... oh, minha senhora, posso-lhe garantir que o pão é de hoje. Todos os dias o fornecedor vem aqui e traz-me o pão. Se quiser amanhã pode vir aqui verificar.
- Não pode ser. Com esta dureza e este sabor?
- Sim, sim. É da qualidade do pão. Ele é mesmo assim.

Nunca ninguém tinha insultado a minha inteligência de uma forma tão baixa. Saí da loja ofendida não só porque não me foi devolvido o dinheiro mas acima de tudo por aquela senhora me ter mentido. Fez de mim estúpida. Se aquela senhora tivesse boa educação teria experimentado o pão, devolvia-me o dinheiro e no dia seguinte diria ao fornecedor: "Vocês estão a vender-me um pão de péssima qualidade e ontem uma cliente reclamou e eu verifiquei que ela tinha razão. Não quero mais este pão."

Insultar a minha inteligêngia foi demonstrar a sua extrema má educação. Lamento a forma como "A Lojinha do Pão", em Benfica, me tratou e também lamento a péssima qualidade do pão que vende.

18/01/10

Saí do Centro de Saúde e lá fui eu ao hospital. Depois de feitos todos os exames aguardei na sala de espera pelos resultados. Como se não bastasse ter dado de caras com uma enfermeira imbecil no Centro de Saúde eis que levo com um jovem que decide meter a sua bela musiquinha do seu belo telemóvel... EM ALTO E BOM SOM PARA TODA A GENTE OUVIR!!!! Eu não quero ferir susceptibilidades mas é de uma extrema má educação e de um profundo egoísmo uma pessoa impingir a sua música ou a sua cultura aos outros. Dentro da carruagem do comboio, do metro, do autocarro, em salas de espera há sempre um ou outro homem (nunca vi mulheres a fazer isto) que decide colocar a música do telemóvel em alto e bom som para toda a gente ouvir. Porquê? Não tem auriculares? Eles não sabem ouvir a sua música nos auriculares? Oiçam a música que querem e quando quiserem porque há gostos para tudo mas por favor não me obriguem a ouvir coisas que não quero. Imaginem que a minha música favorita era ouvir o som de um martelo a bater numa parede? E decidia ligar o telemóvel em altos berros com "Pum, pum, pum, pum, pum..." numa sala de espera. Era ver a reacção das pessoas. Ainda por cima a música que ele nos obrigava a todos a ouvir era aquele tipo de música falada cuja letra não demonstra um pingo de consciência social.

E ouvir pan pipes numa sala de espera não me acalma nada, pelo contrário, se apanho com o titanic tocado em pan pipes eu tenho um ataque de nervos. Vá lá, parece que a moda dos pan pipes nos elevadores e nas salas de espera já passou. Uf!

Alguém se importa de não impingir a sua musiquinha aos outros? Custa muito perguntar se alguém está disposto a ouvir aquela música? Alguém se importa de dizer àquela gente para usar auriculares? E se eu vos espetasse com o som de um martelo nos vossos ouvidos também gostavam?

14/01/10

Ontem ao acordar senti uma forte dor na virilha direita ao ponto de não me conseguir vestir nem andar. Pedi ao cucas que me levasse ao Centro de Saúde para falar com a minha médica de família tendo em conta que eu não conseguia conduzir. Mal cheguei, uma enfermeira novinha, com ar petulante, perguntou-me:

- Porque é que não foi ao hospital? Às urgências...

Aquela pergunta bloqueou-me o cérebro. Eu não sabia se havia de dar uma resposta torta ou uma resposta mais adequada mas optei pela segunda e respondi-lhe:

- Porque primeiro quero saber se isto é normal e, segundo, só vou ao hospital se a minha médica de família me aconselhar. É que eu sou daquelas sortudas que tem médico de família desde os 12 anos de idade e eu já tenho 33!! Há 21 anos que sou seguida por esta médica.

Olhou-me de alto a baixo, virou-me as costas e pediu a uma colega que me assistisse:

- Enquanto a Dra. não vem, podes ver o que esta senhora tem? Há pessoas que vão às urgências do hospital procurar consulta e outras vem para uma consulta em situação de urgência!

E desapareceu. Parecia que estava incomodada com a minha presença. O que vale é que a outra enfermeira que me viu era super querida. E o que é que aquela enfermeira petulante merecia ouvir?

- Olhe, não fui às urgências do hospital porque sei que lá eles não tem um raminho de salsa para eu fazer o meu almoço e achei que vocês aqui no Centro de Saúde pudessem ter. Arranja-me um raminho de salsa?

To be continued...

07/01/10

Não fui eu...

Não me lembro de ter deixado à mão de semear o meu robe polar (sem qualquer vestígio de destruição), a minha escova do cabelo (já sem dentes), o meu garfo de plástico do IKEA (entretanto sem cabeça) que costumo levar para o trabalho, um guardanapo de papel (completamente desfeito em fanicos), três lápis de carvão (que entretanto já não são lápis) e o copinho-esponja anti-stress da cerveja guiness que são aquelas coisinhas pretas espalhadas pelo chão que se vêem ali junto aos outros objectos semi-destruídos. Trouxeram aquele copinho da Escócia para o Cucas (quem será que lhe ofereceu? Uma mulher? Nunca lhe perguntei, huuuummm... é que se foi uma mulher então quero lá saber que a minha cadelinha o tenha destruído...)


Tentei perceber o que era aquilo tudo semi-destruído e quando perguntei em alto e bom som "O que é que tu fizeste?" ela salta de imediato para o sofá, enrola-se, pousa a cabeça no meu robe e...

Mas quem tem cães dentro de um apartamento sujeita-se a levar com estas coisas, nomeadamente, transformadores de portáteis completamente destruídos (vá lá o portátil salvou-se... uf!), roupa interior FEMININA (sim, porque ela não toca na roupa interior e exterior do dono, porquê?), batatas espalhadas pelo chão (mas onde é que vou colocar o cesto das batatas? Em cima dos armários?), papel higiénico desfeito em fanicos e espalhado pela casa (pensava que só os gatos tinham uma perdição por papel higiénico) e depois de me ter queixado disto oiço o meu pai responder-me em tom de alívio:

- Ainda bem que os meus cães e gatos estão todos lá fora.
- Olha, ainda bem que tu vives numa vivenda no meio do campo e eu num apartamento minúsculo, do tamanho da minha cabeça, mesmo no centro de Lisboa!!

30/12/09

O Natal tem destas coisas. Prendas para aqui, prendas para ali, umas interessantes, outras relativamente menos interessantes mas enfim temos que levar com isto e agradecer sempre com um sorriso na cara. Mas este cinismo irrita-me. Há alguma obrigação de oferecer presentes no Natal? Não. Parece que a pessoa se vê obrigada em oferecer qualquer coisa e depois cai na asneira de oferecer o que nada tem a ver com a pessoa que o está receber. Eu sei que o que conta é a intenção mas nada me obriga a comprar presentes no Natal para oferecer a pessoas que eu mal conheço. Ou até posso conhecê-las bem e nem sequer gostar delas para lhes oferecer presentes. Depois, existem aquelas pessoas que só gostam de receber coisas caras mesmo que sejam horríveis e outras, como eu, que dão muito valor a lembranças, ou seja, aquela prenda que de alguma forma tem a ver com a nossa personalidade.

Não é o valor material que importa mas sim o valor simbólico por isso mesmo ofereci um CD de música clássica ao Luís (fã de ópera e de Verdi) e um livrinho sobre curiosidades acerca de gatos à Margarida que tem duas maravilhosas gatinhas em casa. E em troca o que é que eles me deram? Em jeito de brincadeira, a Margarida ofereceu-me um telemóvel de chocolate da Hussel (sou fã desta chocolataria) uma vez que o meu verdadeiro telemóvel estava nas últimas e um cubo mágico que me fez lembrar os maravilhosos anos 80. Lembram-se do cubo mágico? Quando olhei para ele lembrei-me do cubo mágico do meu primo Cristovão que eu tive o prazer de estragar. Lembro-me também de uma quantidade de cubos mágicos no quarto dele e ouvir "Desta vez não tocas em nenhum para não estragares". Por muito que eu prometesse não voltar a estragar um dos seus cubos mágicos não valia de nada pois eu tenho a certeza que se ele me tivesse dado mais uma oportunidade de brincar com o cubo mágico eu voltaria a estragar um daqueles cubinhos maravilhosos. Entretanto, o Luís também me ofereceu uma prenda. Foi um CD mas... de uma banda que eu detesto!!!!!! Os "Within Temptation". Do mal, o menos pois era o Unplugged. Mas a voz daquela cantora irrita-me e eu não consigo ouvir aquelas músicas. E agora?

- Gostas? - perguntou-me.
- ADORO! Eh pá, oh Luís, nem sabe como eu adoro esta banda. Ainda por cima o unplugged. Genial! Muito obrigada.

Bem, enfim, quem não me conhece dá um tiro no escuro para ver no que aquilo vai dar mas neste caso eu perdoo porque eu adoro o Luís e sei que ele fez um esforço por encontrar um CD que fosse de encontro aos meus gostos musicais. OK, não acertou, mas não faz mal o que conta é a intenção...

21/12/09

- Boa tarde!
- Boa tarde!
- Eu estou a falar com o senhor x?
- É o próprio.
- O meu nome é Cuca e estou a contactá-lo por causa de um anúncio de uma casa para alugar por 500 euros... um t2... queria saber se já está alugado...
- É o t2 que tem uma sala com lareira?
- Sim, sim, esse mesmo!
- Já está alugado.
- Ah... pronto, muito obrigada, boa tarde.
- Mas olhe!
- Sim...
- Tenho outras coisas para alugar... tenho dois armazéns: um com 250 metros quadrados, é muito amplo, fica mesmo junto à praia e o outro mais pequenino, com 70 metros quadrados, tipo uma garagem... está a ver?
- Ah... sim... pois... mas não é bem isso que eu procuro. Muito obrigada na mesma. Boa tarde.

ARMAZÉNS???????? ENTÃO EU LIGO POR CAUSA DE UM APARTAMENTO PARA ARRENDAR E ELE SUGERE-ME DOIS ARMAZÉNS??????????? MAS QUAL FOI A PARTE DE UMA CASINHA PARA EU VIVER QUE ELE NÃO ENTENDEU????????????